quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Ficção (ou não) 3
Voltando de mais um dia cansativo de trabalho, andando pela calçada e olhando seus pés, ela percebeu que não fazia idéia para onde estava indo. Esqueceu seu caminho. Qual será o melhor percurso para chegar não sei aonde? Ela olhava ao redor, reconhecia o que a rodiava, não profundamente, conhecia o ambiente como se conhece um vizinho que cumprimenta com um seco oi ou com um aceno morto todas as manhãs. O barulho que a rua fazia era familiar, as buzinas, as vozes misturadas formando uma sinfonia popular de assuntos banais até mesmo a disposição das casas e lojas ela entendia, sentia e por isso sabia que lá não era seu lugar. Onde será seu lugar? Estranhava-se com a superficialidade contida nas relações que se propunha com o lugar. O ar que entrava em seu nariz por obrigação, alimentava seus pulmões pela força natural forçada que a mantinha viva. Mesmo seus pés caminhando sem direção, tentando formar alguma relação a cada passo, se moviam rápido, estavam desconfortáveis, desejavam o desconhecido, o destino. Esse desconhecido era mais o que mais faziam seu sangue correr rápido, ela queria sair daquele lugar, abandonar, cortar os laços curtos, sentir o vento entrar pelas narinas, os pés afundarem no solo, o pensamento se unir a realidade, ela queria tanta coisa.
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