
Voltando da praia e lembrando do dia de hoje me entorpeço com a boa sensação de estar em família. Não só pela ligação de sangue que temos, mas percebo minha sorte de conviver com essas pessoas. Todo mundo sabe da vida de todo mundo, claro que com suas particularidades e eventuais segredos, mas por conhecermos os nossos jeitos e gostos, nos elogiarmos e nos xingarmos, a relação biológica se torna menos importante do que a ligação de respeito e compreensão mútua. A gritaria (todos querem ser os donos da razão, principalmente eu), as discussões (freqüentes pelo fato de sabermos o que dizer ao outro caso nos enfadarmos do debate), o vôlei na rua (competitivos), a dificuldade para dormir (roncos), perguntas indiscretas (costumava ficar mais sem graça, mas adquiri habilidades de contornar a situação), horários estranhos ( acordam às 6h, caminham, café da manhã às 8h e almoço pontualmente ao meio-dia) e conversas sobre a novela, costumavam ser motivos de discórdia, hoje foi tão natural e tão simples. Os 77 anos da minha avó, o convite para ir à casa de praia, o trânsito, a música do carro, tudo tão comum, tudo tão raro.
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