segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Ficção (ou não) 1
Estava na frente da casa azul, novamente, dessa vez resolveu esquecer as trapaças, o descaso e as mentiras. Esteve fora por muito tempo, passou por momentos incríveis e alguns nem tão bons assim, analisou seus erros, imaginou hipóteses, enriqueceu sua mente, ouviu histórias, chorou na chuva, dançou na grama num domingo de sol, pensou muitas vezes em voltar, até que se sentiu pronta. Olhando as janelas, do jeito que deixou, a porta principal estava mudada, as rosas da entrada pareciam as mesmas, só pareciam, ela sabia que muitas coisas haviam mudado, que haviam nascido e morrido rosas no seu canteiro desde que tinha saído fugida da casa azul. Respirou fundo e tocou a campainha, esperou alguns segundos que pareceram horas até ele abrir a porta. Os dois se olharam, imóveis, e por algum tempo esperaram a iniciativa do outro para começar um diálogo, então ela finalmente disse "que saudade!", ele tentou disfarçar os olhos úmidos e a abraçou. Eles eram ligados, não esperavam mais a perfeição ou do outro, estavam livres, nesse exato momento só queriam a companhia um do outro. Era a filha que sabia que podia contar com o pai, era o pai de recebia de braços abertos o retorno da eterna filha. Não havia ilusões, estavam cansados disso, os dois conheciam a instataneidade do momento escondida na brevidade da vida.
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