
Ela caminhava pela calçada, mais uma noite com um objetivo quase impossível, se perguntava porque aceitava mais uma vez obedecer seus vícios, tentava se lembrar da última que mandou em si própria. Alcançar, conseguir, ter, eram verbos que cirandavam por sua mente, aquela dança de metas foi se tornando uma atitude automática e tentada pelo vazio de uma mente repetitiva prestou atenção no céu estrelado da noite, aquele azul-marinho imenso por trás dos postes e prédios que enxergava. Olhou os diferentes feixes luminosos do céu, a lua por completa reluzente, sentiu-se vigiada e seguida pela estrelas. Já havia visto muitas estrelas em toda a sua vida, mas naquele noite elas pareciam se comunicar. Os diferentes tamanhos, as luzes tão longe, várias, várias luzes, caminhos, guias, de cima vigiam os passos, clareiam a escuridão da noite, organizadas harmoniosamente em seu espaço infinito, formam figuras reconhecidas por nossa incessante razão que insiste compará-las à algum registro na memória. De fato são lindas, ela pensa em inverter o jogo, em segui-las, estão lá, às vezes cobertas por nuvens, mas continuam lá, ela se sente segura com as novas companheiras. Fecha os olhos, consegue vê-las claramente, não precisa mais dos olhos, estrelas e ela estão em perfeita harmonia, não precisa conversar com elas, entende e conhece as estrelas, não pensa mais em alcançá-las, a distância entre elas não parece existir. E as preocupações de outrora? Uma vaga lembrança confusa invade sua mente, o costume da preocupação dessa vez dá espaço a não necessidade de explicação. Ela está nas estrelas, ela é as estrelas.




